[…] Sem a promessa de eternidade, tudo vira uma aventura.
Em vez da felicidade, temos o gozo rapido do sexo ou o longo sofrimento gozado do amor. Só restaram as fortes emoções, a deliciosa dor, as lágrimas, motéis, perdas, retornos, desertos, luzes brilhantes ou mortiças, a celuva, o sol, o nada.
O amor hoje é o cultivo da “intensidade” contra a “eternidade”. O amor, para ser eterno hoje em dia, paga o preço de ficar irrealizado. A droga não pode parar de fazer efeito e para isso, a “prise” não pode passar.
Ai, a dor vem como prazer, a saudade, como excitação, a parte, como o todo, o instante, como eterno. E, atenção, não falo de “masoquismo”, falo do espirito do tempo.
Há que perder esperanças antigas talvez celebrar um sonho mais efêmero.
É o fim do “happy end”, pois, na verdade, tudo acaba mal na vida. Estamos diante, diante do fim da insuportavel felicidade obrigatoria. Em tudo. Não adianta lamentar a impossibilidade do amor.
Cada vez mais o parcial, o fortuito é gozoso. Só o parcial nos excita. Temos de parar de sofrer por uma plenitude que nunca alcançamos.
Hoje, há que assumir a incompletude como única possibilidade humana. E achar isso bom. E gozar com isso […]